sábado, 5 de abril de 2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Digno é o obreiro do seu salário.

Digno é o obreiro do seu salário.
Algumas igrejas remuneram bem os seus respectivos pastores, mas não aplicam o mesmo princípio bíblico com os missionários mantidos pelas referidas igrejas.
Há executivos de agências missionárias que ganham salários dignos e inclusive são concedidos alguns "direitos" equivalentes aos empregados celetistas, porém, os missionários recebem salários muito aquém e somente isso.
Dois pesos e duas medidas.
Uma situação de injustiça e desonestidade.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pitaco Missiológico

Conheço algumas agências missionárias espalhadas no território nacional. Não me refiro a um conhecimento superficial, mas fruto de análise criteriosa.
Tenho percebido algo que consiste numa falha muito grave: a falta de assessoria missiológica. Com certeza o trabalho destas agências/juntas missionárias seria mais profícuo se fosse devidamente assessorado.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Crescimento de igrejas

Confesso que  não me escandalizo "facilmente". Isto porque sou leitor da Bíblia. Ela já me advertiu quanto a isso. 
Li algures que se Deus retirar o Espírito Santo neste período, a Igreja continuará com as suas atividades pelo menos em 70%. 
Não tenho da parte de Deus nenhuma porcentagem relacionada a atividade do Espírito na Igreja e no mundo. O que sei, através da Palavra de Deus, que o Espírito Santo é atuante. 
Agora, não tenho dúvida que muita coisa atribuída ao Espírito não tem nada a ver com ele. Pois no cenário religioso tem muita "produção" humana e, não divina. Lamentavelmente, o homem tem utilizado vários expedientes seculares nas igrejas.
Já dei uma olhada, por exemplo, em livros sobre "crescimento" de igrejas. Notei que em todos o que menos se via eram os princípios bíblicos. Talvez isso explique o crescimento, digo, "inchaço" das igrejas ditas evangélicas.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Evangelismo e Missões

Uma coisa é evangelismo; outra coisa é missões.
Evangelismo é falar a qualquer um em qualquer lugar o evangelho. Missões é fazer isso atravessando as barreiras culturais. Isso envolve aprender uma nova língua, aprender novos hábitos culturais onde não há igrejas nem outras pessoas fazendo evangelismo nessa cultura que não tem acesso ao Evangelho.

CIEM

Curso de Mestrado em Missiologia

Missionário: Missão Transcultural

Em 1834, Johannes Gerhard Oncken, pioneiro do trabalho batista na Alemanha, foi preso por ser o líder de uma igreja batista, recém-organizada em Hamburgo. O delegado deu uma ordem: Escreva aí o nome dos missionários de vocês. Oncken não perdeu tempo: Cada batista, um missionário.
A célebre frase não vai ser discutida neste espaço. Aproveitei a deixa para analisar o termo “missionário”. O vocábulo missionário tem sido usado indiscriminadamente.
Durante quase seis anos atuei como “missionário” de uma determinada Junta Missionária, mas tenho lá minhas dúvidas se fui realmente, técnicamente falando. Antes de entrar para o quadro de obreiros já era pastor batista e, percebi que exerci mais o ministério pastoral do que o "missionário". Talvez seja uma implicância comigo mesmo. Todavia, parece-me que o termo missionário se aplica melhor no indivíduo que trabalha num contexto transcultural. Quando falo de missão transcultural estou falando do esforço em cruzar qualquer fronteira que separe o missionário de seu público alvo.
No Brasil, por exemplo, trabalhar com os indígenas é um trabalho transcultural. Ou ainda, com povos de outras etnias mesmo em território nacional.
Eu prefiro atribuir o termo missionário  somente quando a atuação for num contexto transcultural, fora isso a confusão torna-se generalizada.

Dom espiritual como fator determinante


Algumas pessoas desejosas por realizarem trabalho missionário se preocupam bastante com a questão geográfica. Estas entendem que Deus especifica o local de atuação de cada missionário no globo terrestre. Eu não me preocupo com esta questiúncula. 
A ausência da preocupação reside no fato de entender que a determinação de minha tarefa missionária não é o local, mas sim o dom espiritual que Deus me concedeu.
Explico, se tenho o dom de ensino posso desempenhá-lo na região serrana do estado do Rio de Janeiro ou em qualquer outro lugar. Ora, o dom recebido não se limita a um local geográfico. Deve ser exercido em qualquer lugar, seja no Brasil, Angola, Portugal, etc.
As palavras de Jesus ecoam em meus ouvidos e principalmente no meu coração: "O campo é o mundo". A minha intenção é desenvolver o dom espiritual para a edificação da igreja independente da posição geográfica. 

Grande Inimigo do Cristianismo: Islamismo?

Não vou gastar tempo nem palavras para falar do grande inimigo do cristianismo. Quero ser o mais sucinto possível. 
Para a decepção de alguns não tenho nenhuma lista de inimigos do cristianismo. Ora, os inimigos são muitos, mas a proposta não é ordená-los, isto é, colocar  em ordem.
Durante um período vi e ouvi um certo estardalhaço sobre o aumento do islamismo no Brasil e mundo. Alguns juram de pés juntos que o "Islã" é o maior inimigo do cristianismo. Honestamente, não acho que seja. Julgo que o maior inimigo é justamente o evangelho não vivido. 

Pr. Gustavo Luiz
E-mail: pr.gustavoluiz@yahoo.com.br 

domingo, 30 de março de 2014

Nada fácil...


Manter um blog não é nada fácil. Demanda tempo, dedicação, etc. Ainda mais se tiver um viés missiológico. A missiologia, infelizmente, é mal compreendida. Muita gente confunde missiologia com missões. Não se deve, portanto, confundir alho com bugalho. Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.
O que precisa é conhecer e colocar em prática as "ferramentas" missiológicas.
No meu caso, a missiologia ajudou-me a ampliar o horizonte. Confesso, que antes estava imerso num reducionismo enorme, tão grande como o oceano. 
Espero em Deus que as "ferramentas" neste singelo blog seja útil a sua vida e ministério. E que, para tanto, o Senhor Deus lhe abençoe.

Contato com o autor pelo e-mail: pr.gustavoluiz@yahoo.com.br

quarta-feira, 12 de março de 2014

Reflexão

“Amplia o lugar da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não o impeças; alonga as tuas cordas, e fixa bem as tuas estacas”. Isaías 54:2


“Esperai grandes coisas de Deus. Fazei grandes coisas para Deus”. Willian Carey 

terça-feira, 11 de março de 2014

Isaías 42.6-17

Mediador para o povo (v.6)
Abrir olhos aos cegos (v.7)
Libertar da prisão cativos (v.7b)
Livrar do calabouço os que habitam escuridão (v.7c)
O Deus de uma nova palavra e esperança (v.8,9)
Deus de poder transformador (v.13-17)- Contraste da futilidade da idolatria.
Deus está sempre comprometido com o novo. Nova maneira de usar o corpo, nova maneira de usar e encarar as coisas.

segunda-feira, 10 de março de 2014

As Três Dimensões

Três dimensões nos capítulos 40-66 do profeta Isaías:


1) Dimensão Teológica - Grandeza de Deus na Salvação (40-48). É a redenção prometida.

2) Dimensão Soteriológica – Graça de Deus (49-57). É a redenção providenciada.

3) Dimensão Escatológica – Glória de Deus na restauração (58-66). Refere-se a redenção terminada.

domingo, 2 de março de 2014

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

ANTROPOLOGIA CULTURAL E COMUNICAÇÃO MISSIONÁRIA

Este trabalho tem como objetivo compreender a necessidade de aplicá-la num contexto transcultural pelos missionários. Essa temática se insere no debate sobre o preparo missionário presente em nosso Brasil. Busca-se neste, uma pesquisa bibliográfica que parte do contexto da formação missionária, suas concepções e a sua relação à antropologia cultural.
O propósito deste trabalho não é apresentar respostas prontas para o assunto relacionado. Ao contrário, o que se deseja é sensibilizar os cristãos para a necessidade de lidar com a antropologia cultural visando à comunicação missionária em contextos culturais e religiosos diferentes.
A preocupação com a formação missionária se insere na antropologia cultural, vem crescendo, sobretudo nesta última década no Brasil. Podemos acompanhar a temática em vários centros de missões e escolas missionárias. Além das aulas ministradas sobre o assunto nas escolas missionárias, observamos um movimento do próprio missionário na busca de uma formação antropológica.
Compreendemos o preparo antropológico como uma intricada teia de relações que envolvem a pesquisa, o ensino e o estudo constante. Um processo que permite ao missionário construir a sua própria formação missionária, encarnando-se, fazendo-se um aprendiz, construindo um conhecimento antropológico.
A antropologia cultural é o caminho para atingir uma missão, que exige uma formação. O caminho da formação antropológica do missionário evidenciaria a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Esta indissociabilidade requer a construção de uma relação antropológica conjunta com o povo que reflita sobre as concepções de ensino e encaminhe para um processo na perspectiva da produção antropológica- missionária.
Envolver os missionários no processo possibilita repensar sobre o modo de proceder para que eles aprendam, além das compreensões sobre como aprendem os conteúdos a serem ensinados. A exigência disto é uma passagem na ênfase de antropologia cultural e que pressupõe: organizar o processo para que os missionários possam ter acesso ao novo conhecimento proposto, desenvolver orientações e recursos que os ajudem, acompanhar seu processo de aprendizagem.
Eugene Nida disse que “o benefício e a necessidade da antropologia cultural para qualquer missionários são incalculáveis” [1]. A utilização da antropologia cultural no processo de comunicação missionária terá excelentes resultados, sem falar num trabalho mais profundo no campo transcultural. Por outro lado, a não utilização da antropologia por parte dos missionários poderão causar sérios danos entre os ouvintes do campo missionário. Por esse motivo, verifica-se que a antropologia é absolutamente necessária ao preparo para a obra missionária. O compromisso e a vocação de Cristo, embora sejam importantes, não são suficientes, assevera Ken Kudo[2]. Cada missionário precisa de orientação transcultural, isto é, comunicação para quem não é da sua cultura. E isso inclui a antropologia como ferramenta a ser utilizada no campo missionário.
O pastor Ronaldo Lidório destaca que em missões transculturais há um “triple” relevante para esta área: missiologia, antropologia e linguística. Cada missionário precisa entender a necessidade de adquirir um preparo nas três áreas citadas, pois os resultados serão satisfatórios, ainda que em longo prazo. No entanto, para ter um trabalho relevante demanda tempo além das utilizações das ferramentas mencionadas acima.
Lucy Mair afirma que antropologia significa “falar sobre o homem”, assim como a psicologia quer dizer “falar sobre a mente[3]”. Este autor assume aqui a postura adotada pela autora:
“À vezes se considera a antropologia como o estudo que nos diz “tudo sobre o homem”. Para os que adotam este ponto de vista, ela inclui, de fato, os assuntos que floresciam por volta dos meados do século XIX, quando a ideia de uma “ciência do homem” começou a tomar forma- antropologia física, antropologia social [ou cultural], arqueologia e linguística. Uma perspectiva alternativa é que a antropologia social é um ramo da sociologia, sendo as outras ciências sociais os seus vizinhos mais próximos.”

De acordo com Lucy, a sociologia é o estudo da sociedade, sendo a antropologia um ramo daquela ciência. Sem renunciar à sua autonomia, a antropologia espraia-se por várias áreas de estudo - sociologia, política, economia, biologia, direito – não só num sentido de interdependência disciplinar como de integração e aglutinação, do qual resulta a elaboração de uma teoria social que melhor corresponde à rica complexidade do homem e de sua cultura[4]. O homem vive num meio criado por ele próprio, e é isso que fundamentalmente o distingue.
Segundo Lucy Mair, a antropologia social[5] é mais do que um “arquivo da humanidade”, quando estuda populações tribais e civilizações não complexas , como um conhecimento global do homem - conhecimento aplicado ao conjunto do desenvolvimento humano, tanto no campo da cultura espiritual (religião, ética, arte) quanto da cultura ergológica (economia, trabalho, instituições, estrutura social, organização comunitária), isto é, a cultura humana compreendida em todas as suas dimensões[6]. Por causa do exposto acima, percebe-se a importância da antropologia cultural e sua aplicabilidade na comunicação missionária por parte dos vocacionados e preparados, inclusive antropologicamente, missionários contemporâneos.
Eugene Nida mostra que a antropologia é o estudo do ser humano ou mais especificamente, a ciência da cultura humana, ou conforme Kroeber a define é a ciência dos grupos humanos, seu comportamento e suas produções. A antropologia Cultural estuda as culturas pré-históricas, a etnologia, o folclore, a organização social, a cultura e a personalidade, a aculturação e a aplicação da antropologia aos problemas humanos[7].
A antropologia cultural tem feito muitas contribuições ao conhecimento de nós mesmos e de outros seres humanos, tais como: o comportamento humano não é ilógico ou efetuado ao acaso, mas segue modelos culturais definidos; as partes que formam o padrão de comportamento de uma cultura são inter-relacionadas; a maneira como os diferentes povos seguem e pensam podem tomar formas bastante variadas de cultura para cultura[8].
O estudo da antropologia visa a compreensão das razões das atitudes dos outros, assim como das nossas próprias. O missionário deve compreender tanto a cultura dos outros povos quanto a sua própria. Fazendo isso, muitos erros serão evitados no campo missionário e o evangelho será mais bem compreendido e por sua vez, aceito [ou rejeitado].
Paul Hiebert defendeu em seus livros que o missionário precisava conhecer as Escrituras, para entendê-la e interpretá-la, e conhecer o homem, para se comunicar com ele. Hiebert expôs a necessidade de uma antropologia aplicada ao contexto, necessidades e ações missionárias, e é provavelmente a maior influência nesta geração quanto ao uso da antropologia no treinamento missionário[9].
Podemos aqui propor que a antropologia missionária visa o estudo do homem como ser biológico e cultural com a finalidade de desenvolver relações interpessoais equilibradas e comunicação inteligível em um ambiente de partilha das verdades de Cristo e envolvimento com a sociedade abordada, suas virtudes e desafios.
Eugene Nida explica que esta contribuição missionária para a pesquisa antropológica se dá na coleta, organização e distribuição de informações etnográficas através da sua vivência prolongada com o grupo com o qual se relaciona o aprendizado da língua materna e busca por um relacionamento aproximado. Não é incomum encontrar missionários vivendo décadas entre um mesmo povo, ou gerações de missionários em uma permanência prolongada no mesmo grupo.
Hiebert nos diz que a antropologia colabora com as ações missionárias por (1) fazer compreender situações transculturais, (2) esclarecer tarefas missionárias como a tradução da Bíblia e aquisição de uma nova língua, (3) auxiliar a compreensão dos processos de conversão, incluindo a mudança social, (4) ajudar a comunicar o evangelho de forma relevante para aquele que o ouve, (5) construir relacionamentos interculturais criando pontes de compreensão e comunicação.
Ainda que haja grandes controvérsias a respeito da antropologia aplicada é indiscutível a invariável tendência mundial instrumentalista a qual caminha para, cada vez mais, utilizar a antropologia como área do conhecimento humano aplicada nas soluções dos problemas sociais. A antropologia aplicada é reconhecida como a união entre o conhecimento e a ação, a pesquisa e a atividade. A antropologia missionária pode ser vista, portanto, como a antropologia aplicada às pesquisas e ações missionárias.
Ronaldo Lidório aponta que no Brasil, a antropologia aplicada ao trabalho missionário foi orientada, em um primeiro momento, por algumas pessoas, dentre as quais destaco os professores Barbara Burns, Frances Popovich, Isabel Murphy, Paul Freston e Rinaldo de Mattos os quais, em suas relevantes e diferentes ações de treinamento, lançaram luz sobre o valor da sociologia, antropologia e fenomenologia da religião no currículo missionário, cujo resultado é visto em quase todos os centros de treinamento missionário em nosso país. Além dos diversos centros de treinamento missionário, algumas iniciativas complementares como o Antropos cooperou com a conscientização e formação missionária evangélica com ênfase na antropologia aplicada[10].
 Outro nome importante no cenário brasileiro no ramo da antropologia cultural com a aplicabilidade missionária é Sebastião Lúcio Guimarães. Ele é pastor batista, formado em Teologia e em Educação Cristã, Mestre em Teologia Prática (STBSB) e mestre em teologia com ênfase em educação missionária (UWC, RSA) e doutor em Teologia com especialização em missiologia pela University of the Western Cape, Cape Town, África do Sul. Serviu como missionário por mais de dez anos em Moçambique e África do Sul. Além de ter servido como pastor local e missionário transcultural tem atuado como professor de missiologia em Seminários e Escolas de Missões na América do Sul e na África.
A capacitação antropológica coordenada pelo Instituto Antropos contribuiu nesta direção treinando 237 missionários entre 2001 e 2009. Também a Faculdade Etnia, estabelecida em 1997, é uma das primeiras pós-graduações com ênfase antropológica de orientação missionária. A UniEvangélica e Instituto Antropos lançaram em 2010 a primeira pós graduação em antropologia intercultural no país, e coordenada pelo segmento missionário, crendo ser possível gerar no Brasil um número crescente de missionários-antropólogos nos próximos anos com um efeito positivo também nos centros de treinamento missionário (e não apenas presente atuação de campo) onde boa parte dos missionários-antropólogos devem investir em algum momento de suas vidas e trabalho[11].
Dentre as diversas aplicações da antropologia ao ambiente missionário, talvez área maior destaque seja a comunicação. Aplica-se a antropologia nos processos comunicacionais missionários, na busca por uma melhor inteligibilidade, aplicação e contextualização da mensagem.
Como fator social, a comunicação missionária deve ser dialógica, relacional, inteligível, ética e aplicável. Os principais elementos da comunicação são: informação (mensagem), interpretação (processo de codificação) e associação (aplicação da mensagem). A comunicação pode ser definida como um processo em que uma informação (formal ou informal) é transmitida, decodificada, interpretada e associada ao universo de quem recebe. Isso inclui, é claro, aceitação ou rejeição[12].
 Ronaldo Lidório, missionário presbiteriano e membro da Missão AMEM que tem atuado no plantio de igrejas entre grupos não alcançados no Oeste Africano e na Amazônia Brasileira, acerca da comunicação missionária afirma:

“Compreendemos uma mensagem quando conseguimos decodificá-la e, para decodificá-la, utilizamos códigos próprios. Culturalmente, possuímos códigos universais que fazem com que a humanidade partilhe valores universais. Esses códigos fazem com que compreendamos bem nossa mensagem, mas quando a transmitimos com esses mesmos códigos, quem a recebe pode ter imensa dificuldade para compreendê-la, a não ser que ele seja capaz de interpretar os códigos de quem a envia” (p.52).

Portanto, quando comunicamos uma mensagem - a mensagem do Evangelho, por exemplo, precisamos pensar nos códigos receptores. Entendendo que os códigos receptores envolvem especialmente a língua, a cultura e o ambiente.
A antropologia proporciona ferramentas para essa codificação, que são os métodos de análise cultural e de comunicação.
Num mundo cada vez mais globalizado, é importante que todos nós pensemos sobre os contextos humanos e como eles moldam os outros e a nós mesmos. Necessitamos aprender em um mundo de múltiplos contextos para construir pontes de compreensão e relacionamento e emitir  entre eles. Isto se aplica igualmente a, contextos sociais, culturais, linguísticos, religiosos e históricos[13].
Os missionários são forçados a lidar com as diferenças socioculturais, e, portanto, com contextos sociais e culturais. Todavia, o pouco preparo antropológico diminui a efetividade de seus ministérios, nos contextos nos quais servem[14].
Qualquer cultura é constituída dos hábitos de um povo, de usos e costumes, de sua língua, de suas realizações e de suas estruturas sociais. Pode-se comparar a cultura a uma peça de tapeçaria grande e complexa. Cultura é uma realidade mais ampla. As pessoas são enculturadas- nascem e são educadas dentro de uma cultura[15].
O doutor Hesselgrave nos lembra da postura adotada pelo missionário no contexto transcultural:
“O comunicador missionário deve encarar a cultura com a máxima seriedade. Uma vez que os receptores decodificarão a mensagem dentro da estrutura da realidade fornecida pela própria cultura deles, o missionário precisa codificar sua mensagem tendo em mente essa realidade. Sob o aspecto daquela parte da cultura com que ora nos ocupamos, a comunicação da maioria das pessoas está circunscrita à perspectiva gerada por sua própria cosmovisão” (p. 218).

 A forma pela qual as pessoas vêem a realidade pode-se chamar de cosmovisão. Trata-se da forma das pessoas vêem ou percebem o mundo, a forma como conhecem.
Finalizando, verificamos que a antropologia pode nos ajudar fornecendo ferramentas com as quais podemos examinar o contexto cultural em que trabalhamos e nos suprir de informações sobre a contemporaneidade. Pode nos fazer entender situações transculturais e dar-nos esclarecimentos sobre tarefas missionárias específicas como a tradução da Bíblia.  Além disto, pode auxiliar os missionários a compreender os processos de conversão, incluindo a mudança social que ocorre quando as pessoas se tornam cristãs.
Sem falar que pode nos ajudar a tornar o evangelho relevante aos nossos ouvintes. E por fim, pode nos auxiliar em nossos relacionamentos com pessoas de todo o mundo, em toda a diversidade cultural e nos ajudar a construir pontes de compreensão entre elas.

BIBLIOGRAFIA 

BURNS, Barbara Helen. Contextualização Missionária: desafios, questões e diretrizes. São Paulo: Vida Nova, 2011.
HESSELGRAVE, David J. A. Comunicação Transcultural do Evangelho. Volume 2. São Paulo: Vida Nova, 1995.
HIEBERT, Paul. O Evangelho e a Diversidade das Culturas: um guia de antropologia missionária. 1ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1999.
HIEBERT, Paul G/ R. Daniel Shaw/ Tite Tiénou. Religião Popular: uma resposta às crenças e práticas populares. Minas Gerais: Horizontes América Latina, 2009.
LIDÓRIO, Ronaldo. Introdução à Antropologia. 1ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2011.
MAIR, Lucy. Introdução à Antropologia Social. 3ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
NIDA, Eugene. Costumes e Culturas: uma introdução à antropologia missionária. 1ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1985.
LIDÓRIO, Ronaldo. Antropologia Missionária. Disponível em: http://instituto.antropos.com.br/antropologia-missionaria. Acesso em 13 de maio de 2013.


[1] NIDA, Eugene. Costumes e Culturas: Um guia à antropologia missionária. São Paulo: Vida Nova, 1985. p. 1.
[2] Ken Kudo foi Diretor Nacional Sepal- Serviço de Evangelização para a América Latina. É fundador da Missão Avante, agência enviadora de missionários brasileiros para o exterior.
[3] MAIR, Lucy. Introdução à Antropologia Social. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1976. p.9.
[4] Ibidem, p. 294.
[5] Vários autores tem dividido a antropologia em cultural e social. A primeira promoveria o estudo das criações do espírito humano resultantes da interação social: as ideias, os conhecimentos, os códigos éticos, as cosmogonias, os hábitos adquiridos na e pela vida social. A antropologia social se restringiria ao estudo das estruturas sociais, sob a invocação de que o social é apenas um segmento do cultural. Todavia, neste trabalho tal distinção é tida como arbitrária.
[6] Ibid.
[7] Ibidem, p.9.
[8] Ibidem, p.19.
[9] Disponível em: <instituto.antropos.com.br/antropologia-missionaria> Acesso em 13 de maio de 2013.
[10] Disponível em: <instituto.antropos.com.br/antropologia-missionaria> Acesso em 13 de maio de 2013.
[11] Ibid.
[12] LIDÓRIO, Ronaldo. Introdução à antropologia. São Paulo: Vida Nova. p. 52.
[13] LIDÓRIO, Ronaldo. Introdução à antropologia. São Paulo: Vida Nova. p. 53.
[14] BURNS, Barbara. Contextualização Missionária: desafios, questões e diretrizes. São Paulo: Vida Nova, p. 115.
[15] HESSELGRAVE, David J. A Comunicação transcultural do evangelho. São Paulo: Vida Nova. p. 217.  

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O que é Missiologia?

      Engana-se quem pensa que a missiologia é o "estudo de missões". Esta visão é simplista, além de ingênua. 
         Missiologia é a soma de duas palavras: do latim "missione" significando função ou poder que se confere a alguém para fazer algo, encargo, incumbência; e do grego "logia", que significa estudo, conhecimento. Portanto, podemos definir Missiologia como a ciência que estuda os diferentes aspectos da missão que Deus deu ao homem.
         Missiologia é uma ciência interdisciplinar. Abrange disciplinas bíblicas, teológicas e históricas; a ética, a hermenêutica, a ciência da religião e ainda disciplinas seculares como a antropologia, a sociologia, a estatística e a comunicação. A missiologia emprega cada uma destas, a fim de refletir sobre a identidade e tarefas missionárias da igreja em dado momento histórico e cultural.
      A missiologia ajuda a igreja e o missionário a levar em conta o seu contexto missionário, de tal modo que o evangelho seja transmitido mais claramente em relação a audiência e mais fielmente em relação a Deus.