domingo, 14 de dezembro de 2014

Hierarquia nas Igrejas Batistas?

Nas igrejas do Novo Testamento os obreiros eram responsáveis pela "boa ordem".

Não havia hierarquia funcional. Havia autoridade espiritual. Todos eram ministros, eram servos.
Os diferentes títulos indicam funções de serviço, conforme os dons espirituais e a capacitação provada na prática, nunca uma posição hierárquica.
Nas igrejas batistas, segundo as Escrituras, há duas espécies de oficiais: pastores e diáconos.
Pastor não designa a posição hierárquica ou institucional, mas a virtude do líder para apascentar o rebanho de Jesus ( 1 Pedro 5.2,3).
Diácono é um servo, ministro. Em Atos 6.3 o diaconato é formalmente instituído para "servir as mesas".
Biblicamente, não há hierarquia entre pastores e diáconos.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Turbulência Existencial

Tive uma adolescência muito turbulenta. Tinha dia que acordava sentindo a vida de “cabeça pro ar”.
Foi neste período de inquietação que comecei a frequentar uma igreja de confissão evangélica, denominada batista. Diante do caos em minha vida eu precisava de ordem. Em meio a tanta dor e sofrimento eu só queria alegria e satisfação.
Como todo adolescente gostava muito de música, mas as músicas na igreja não eram terapêuticas, pelo menos para mim.
Os chamados “períodos de louvor ou de cânticos” eram recheados de terminologias bélicas. Os “corinhos” daquela época falavam muito em guerra, luta e etc.
Enquanto isso, nas páginas das Escrituras Sagradas, apresentava-se um Príncipe da Paz (Isaías 9.6). Era disso que eu precisava!
Por fim, encontrei Jesus. Não o encontrei nos “corinhos de guerra”, encontrei-o revelado na Bíblia. Depois disto, ouvi a voz do Príncipe da Paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” (João 14.27).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Eleição

A doutrina da eleição do crente, e consequentemente da sua predestinação, tem sido alvo de polêmica desde a Reforma Protestante, entre teólogos calvinistas e arminianos.

A confissão de fé batista dos ingleses, de 1689, era calvinista, quanto ao entendimento da doutrina da eleição e predestinação. Havia também os batistas gerais, de tendência arminiana, que não aceitavam a eleição incondicional conforme a teologia calvinista.
A confissão batista de Filadélfia, de 1742, dos batistas americanos era calvinista. A de 1833, de New Hampshire, adotadas pelos batistas brasileiros em 1916, era menos calvinista.
Segundo os batistas, a eleição é a escolha feita por Deus, em Cristo, desde a eternidade, de pessoas para a vida eterna, não por qualquer mérito, mas segundo a riqueza da sua graça. Cremos que essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio de cada um de todos os homens, conforme João 3.16 e 5.24.
Cremos  que Deus, no exercício de sua soberania divina e à luz se sua presciência, de todas as coisas elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles que, no correr dos tempos aceitariam livremente o dom da salvação.
Em sua iniciativa Deus não priva ninguém de salvar-se, porque ele visa a salvação de todos os homens.
Cremos que o crente não perde a salvação. Destaca-se, portanto, a doutrina da perseverança dos santos. A nossa declaração destaca que o novo nascimento é um dos elementos que asseguram aos salvos a permanência na graça da salvação.

TRECHO DA DECLARAÇÃO DOUTRINÁRIA DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA:

Eleição é a escolha feita por Deus, em Cristo, desde a eternidade, de pessoas para a vida eterna, não por qualquer mérito, mas segundo a riqueza da sua graça.1 Antes da criação do mundo, Deus, no exercício da sua soberania divina e à luz de sua presciência de todas as coisas, elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles que, no correr dos tempos, aceitariam livremente o dom da salvação.2 Ainda que baseada na soberania de Deus, essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio de cada um e de todos os homens.3 A salvação do crente é eterna. Os salvos perseveram em Cristo e estão guardados pelo poder de Deus.4 Nenhuma força ou circunstância tem poder para separar o crente do amor de Deus em Cristo Jesus.5 O novo nascimento, o perdão, a justificação, a adoção como filhos de Deus, a eleição e o dom do Espírito Santo asseguram aos salvos a permanência na graça da salvação.6
1 Gn 12.1-3; Ex 19.5,6; Ez 36.22,23,32; 1Pe 1.2; Rm 9.22-24; 1Ts 1.4
2 Rm 8.28-30; Ef 1.3-14; 2Ts 2.13,14
3 Dt 30.15-20; Jo 15.16; Rm 8.35-39; 1Pe 5.10
4 Jo 3.16,36; Jo 10.28,29; 1Jo 2.19
5 Mt 24.13; Rm 8.35-39
6 Jo 10.28; Rm 8.35-39; Jd 24

* Esta Declaração foi apreciada em cada assembleia da Convenção Batista Brasileira do ano de 1979 até o ano de 1986, quando, então, foi a declaração aprovada definitivamente.A comissão de preparação tiveram como componentes: José dos Reis Pereira (relator), Éber Vasconcelos, Irland Pereira de Azevedo, João Filson Soren e Manfred Grelert

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Paulo, o pior dos pecadores?

“Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1ª Timóteo 1.15).
Foi no ano de 1996 quando me “deparei” com o versículo citado. Já tinha ouvido falar e, até mesmo já lera em outras ocasiões, mas o versículo chamou demais a minha atenção.  Eu estava acompanhado de um irmão, muito amado, que eu chamava respeitosamente de “Seu” Jorge. Este era um “leigo”, porém, estudioso das Escrituras.
Diante da expressão do apóstolo Paulo que se considerava o pior dos pecadores eu disse para o irmão que Paulo estava errado, pois eu é que era o pior dos pecadores! Como Paulo poderia afirmar ser ele o pior dos pecadores? 
Foi então, que o amado irmão respondeu-me: “O apóstolo Paulo não errou, ele afirmara que era o pior dos pecadores e estava certo, pois até então, você não havia nascido”.
Passado quase vinte anos tenho ainda a mesma impressão: "Eu sou o principal dos pecadores. E não é uma falsa impressão, tenho certeza disto

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Simbolismo da Ceia do Senhor

Há quatro interpretações sobre os elementos da Ceia do Senhor. Vamos analisar de modo sucinto os pontos de vistas e por fim, posicionarmos.

1. Transubstanciação - É o ensino da Igreja Católica Apostólica Romana. Acreditam na transformação das substâncias do pão e do vinho nas substâncias do corpo e do sangue de Cristo pelo efeito da consagração eucarística. Todo católico é ensinado a crer que a hóstia, uma vez consagrada pelo sacerdote, transforma-se no corpo real de Jesus Cristo. Tal doutrina começou a penetrar na igreja no século IX, através de Pascácio Radbert. O Quarto Concílio de Latrão em 1215 aprovou o dogma. 
2. Consubstanciação - É o ponto de vista dos luteranos. Eles acreditam em que o participante dos elementos, após a consagração, realmente come a carne e bebe o sangue de Cristo, embora os elementos não se modifiquem.
3. Presença mística - Muitas igrejas reformadas acreditam que a união é espiritual, de modo que, onde o sacramento é recebido com fé, a graça de Deus acompanha.
4. Memorial - Ensina que Cristo instituiu a Ceia como memorial. O crente não recebe nenhuma graça especial quando dela participa. Ela leva a rememorar o sacrifício de Cristo na cruz por nós.
Nós batistas posicionamos conforme as declarações cristalinas das palavras de Cristo e os ensinos dos autores do Novo Testamento: " A Ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, comemorativa e proclamadora do Senhor Jesus Cristo simbolizada por meio dos elementos utilizados: o pão e o vinho. Nesse memorial o pão representa o seu corpo dado por nós no calvário e o vinho simboliza o seu sangue derramado".

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A Imputação do Pecado de Adão à Posteridade

A Bíblia ensina que o homem foi feito à imagem de Deus (Gênesis 1.27). Esta semelhança tem duas significações, a saber, natural e moral.
Pecado no sentido mais amplo do termo é o estado mau da alma ou da personalidade. O resultado deste estado são os atos pecaminosos.
O pecado é o maior e o mais terrível inimigo da alma humana. O pecado sempre destrói e nunca edifica.
A Bíblia ensina que, ao cair Adão, caiu com ele toda a raça (Romanos 5.12). No entanto, surge uma pergunta inquietante: Porque os pecados de Adão passaram à sua Posteridade? Temos que estudar a conexão entre pecado de Adão e o pecado da raça.
Ensina-nos as Escrituras sagradas que a transgressão de Adão constituiu a todos os seus descendentes em pecadores. Em Romanos 5.19 temos a seguinte expressão: “Porque, como pela desobediência de um só homem. Muitos foram feitos pecadores...”. Deus criou somente uma raça humana e Adão era o primeiro homem, e constituía, portanto, a raça humana naquela ocasião. Por isso, quando ele pecou e caiu, a raça humana caiu também com ele. Quando se fala da imputação do pecado à sua posteridade, quer-se dizer que Deus reconhece o homem como responsável por uma coisa que realmente lhe cabe.
Teoria de Armínio:
Segundo esta teoria, todas as pessoas nascem destituídas de justiça original e, portanto, estão expostas à morte. Por causa desta enfermidade da alma, propagada por Adão, ninguém é capaz de obedecer a Deus sem o auxílio seu. Quando a raça caiu, todos caíram com ela, de maneira que não há possibilidade de o homem levantar-se, senão com o auxílio divino. Mas, segundo esta teoria, o homem não é responsável por este estado mau de desobediência a Deus, isto é, os descendentes de Adão não têm culpa na sua queda, porém, mesmo sem culpa, herdaram esta incapacidade de obedecer a Deus. Por isso Deus deve a cada indivíduo, em nome da justiça, uma influência especial do Espírito Santo, de modo que o homem possa vencer essa incapacidade de obedecer-lhe. Ensina esta teoria que o indivíduo deve ter a mesma oportunidade que teve Adão, de decidir-se ao lado de Deus. Porém, por causa da queda, o homem não tem a mesma oportunidade que Adão teve. Os seus descendentes têm que lutar com as desvantagens herdadas do próprio Adão. O indivíduo não tem culpa disso, portanto, deve receber de Deus uma influência que anule esta desvantagem.
Já se vê que, conforme os ensinamentos desta teoria, o pecado da raça não envolve culpa. Não há, pois, razão alguma de o homem estar condenado, antes mesmo de praticar o mal. Assim sendo, Deus imputa o pecado de Adão ao homem só quando ele voluntariamente peca contra a Sua vontade.
Teoria Congregacionalista:
Esta teoria ensina que os homens nascem naturalmente corrompidos. E a prova disso é que ao chegarem à idade de discernir o bem e o mal, praticam atos contra a vontade de Deus. A esta natureza corrupta, que o homem herdou da raça, pode chamar-se pecado, porque conduz o homem ao pecado, mas realmente não o é. Pecado, segundo esta teoria, está no ato voluntário contra a lei e contra a pessoa de Deus. Segundo esta teoria, o que herdamos de Adão é apenas uma tendência para o pecado, uma tendência para a morte. Por isso Deus imputa ao homem somente os atos pecaminosos que o indivíduo pratique, e não o pecado de Adão quando este ainda representava a raça. Conforme acabamos de ver dos ensinos desta teoria, não herdamos de Adão o pecado nem a morte, visto que essa natureza corrompida e a morte física não são resultado, pena ou consequência do pecado de Adão. Estas coisas revelam apenas a ira de Deus contra a transgressão de Adão.
Teoria de Condenação por contrato:
Segundo esta teoria, Adão foi constituído por Deus o representante da raça. E este representante da raça fez com Deus um contrato, nas seguintes condições: Se o homem fizesse o bem, receberia a vida eterna; porém, se fizesse o mal. Deus lhe daria a morte eterna. Sabemos que Adão não fez o bem, e daí Deus fez que cada um dos seus descendentes herdasse a natureza corrompida. Segundo esta teoria. Deus imputa imediatamente a culpa de Adão à posteridade.
Teoria de Agostinho:

A teoria de Agostinho ensina que Deus imputa o pecado de Adão, imediatamente, à sua posteridade por causa da relação orgânica e vital entre Adão e os seus descendentes. Por ocasião da queda, a raça era Adão e Adão era a raça. No ato livre de Adão, a vontade da raça revoltou-se contra Deus. A raça humana pecou e caiu, e o pecado de Adão era o pecado da raça. Deus reconhece-nos pecadores, membros da mesma raça humana decaída, por se haver revoltado contra ele. A raça, que era a unidade no começo da sua existência, pecou e caiu, e, naturalmente, todos quantos dela descendem nascem com uma natureza corrompida, isto é, debaixo da condenação de Deus, porque toda a raça estava condenada. E, não obstante estarmos tão distantes de Adão quanto ao tempo, somos filhos dele tanto quanto o eram os seus primeiros filhos. Não há duas raças humanas, e, sim, uma só, que caiu, e da qual fazemos parte. Quando se diz, pois, que Deus imputa a nós o pecado de Adão, afirma-se que Deus reconhece a nossa íntima relação com Adão, assim como também reconhece o estado moral em que nos achamos. Esta teoria baseia-se nas Escrituras, e é aceita pelos batistas.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Ceia do Senhor

Efetivamente a celebração da Ceia do Senhor é um testemunho, é uma proclamação da morte de Jesus Cristo, não em sentido simplesmente fúnebre, mas no significado abençoado, vivificador para quem nele crê. 

Será propícia a celebração da Ceia em locais outros, senão na igreja local? O ambiente em outros locais pode parecer indicado. De fato, o ambiente pode realmente existir, mas parece-nos que as condições bíblicas não. 
A Ceia do Senhor é um rito, uma ordenança da igreja, das igrejas, não de reuniões outras por mais belas, espirituais e inspiradoras que sejam. Não é uma comemoração de comunhão, não é uma comemoração de fraternidade, não é uma celebração de sociabilidade, nada dessas coisas, mas uma ordenança da igreja e que à igreja cabe observar e somente à igreja, em que ela, igreja, entre outras coisas testemunha de sua missão sobre o Cristo que morreu na cruz do Calvário. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Missiologia

Várias são as definições de missiologia. Uma delas é que missiologia é "a ciência ou estudo de missões". Porém, é uma definição muito simplista e incompleta.
Já Orlando Costa acerca de missiologia diz que é "a crítica sobre a práxis da missão que interpreta e questiona o passado e o agora da fé, buscando e se projetando para o futuro a fim de corrigir, fortalecer, suster ou totalmente mudar o desempenho missionário da igreja".
Há ainda uma definição sugestiva da parte de Verkuyl: "é o estudo das atividades salvíficas do Pai, Filho e Espírito Santo através do mundo, orientadas para trazer o reino de Deus à existência".
A Missiologia é uma ciência interdisciplinar. Abrange disciplinas bíblicas, teológicas e históricas, a ética, a hermenêutica, a ciência da religião e ainda disciplinas seculares como a antropologia, a sociologia, a estatística e a comunicação. A missiologia emprega cada uma destas, a fim de refletir sobre a identidade e tarefas missionárias da igreja em dado momento histórico e cultural.
A missiologia ajuda a igreja e o missionário a levar em conta o seu contexto missionário, de tal modo que o evangelho seja transmitido mais claramente em relação à audiência e mais fielmente em relação a Deus.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Prisão Religiosa

Preocupa-me a situação de inúmeras pessoas que são livres em Cristo Jesus, porém, continuam sob o jugo de "pastores". 
Infelizmente, alguns lugares, denominados de “igrejas” são verdadeiras prisões.  

Li algures: “O Senhor é o meu Pastor, mas nenhum pastor é o meu senhor”. A autoridade máxima sobre a nossa  vida é Deus; não pessoas que se intitulam  “pastores”, mesmo que estejam dentro de um contexto institucional.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Sistema Religioso

Certa vez durante uma aula no curso de mestrado em missiologia um professor disse o seguinte: “O sistema religioso é corrupto, porém, a pessoa de Jesus não é corrupta".
Vejam duas definições: corrupção vem do latim corruptus, que significa quebrado em pedaços. O verbo corromper significa “tornar pútrido”, segundo o Dicionário Informal. Já o Dicionário Michaelis, define como: sf (lat corruptione): 1 Ação ou efeito de corromper; decomposição, putrefação. 2 Depravação, desmoralização, devassidão. 3 Sedução. 4 Suborno.
Tendo as definições em mente, ratifico a frase do professor e acrescento: Todo sistema religioso é corrupto.

Somente a pessoa de Jesus não é "quebrada em pedaços", pois é íntegra. Por ser pessoa íntegra, Jesus é “inteiro”. Integro é inteiro, completo, a que nada falta, que é reto, incorruptível. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

“O Caminho Missionário de Deus - uma teologia bíblica de missões” (Timóteo Carriker)

A presente obra mostra que a mensagem bíblica é universal e por causa disso missionária. Para tanto suas raízes encontram-se na missão de Israel. Aborda o mandato cultural(chama toda a humanidade para participar na ordenação e na administração da criação) e o mandato redentor(chama o povo redimido de Deus a participar com ele na missão da redenção). Apresenta um Deus soberano cujo propósito vai ser levado a cabo, incluindo o propósito redentor e mundial.
Analisa a desobediência do povo de Israel e o julgamento da parte de Deus, além da evidenciada misericórdia divina sobre aquele povo. Depois menciona a eleição e a aliança feita com o povo de Israel. E ainda menciona os riscos e privilégios da eleição. Não obstante trata resumidamente sobre a nova aliança de Cristo. Esta nova aliança é para o Israel espiritual.
Libertação e chamamento; sacrifício e a lei; nacionalidade e conquista; o reino em Israel; sabedoria/adoração do povo de Deus; o perigo de apostasia; a palavra dos profetas e a esperança no messias são assuntos tratados de maneira lúcida pelo autor. Tais assuntos ajudam-nos bastante numa compreensão bíblica.
Entende-se com base nesta obra que missão é uma categoria que pertence a Deus. A missão antes de ser da igreja, é de Deus. Essa visão é importante para a igreja hodierna, visto que há várias distorções.
Mostra que Deus tem um propósito no mundo. Sem dúvida, a igreja absorveu a idéia de que a o propósito de Deus se restringe a ela própria. Contudo este livro corrige o equívoco por parte da igreja nos dias atuais. Além disso, fala sobre o alcance da missão que é não apenas para com toda a raça humana. É mais abrangente. Também implica na igreja assumir a tarefa de mordomo sobre a criação toda. Nesse ano, por exemplo, o tema da Convenção Batista Brasileira é o meio ambiente. Apesar de ser um tema relevante, alguns já se posicionaram contrário ao assunto por entender que há coisas [espirituais] mais importantes para serem tratadas no meio denominacional. Isto mostra que ainda tem uma visão limitada sobre a missão da igreja no mundo.
Verifica-se o instrumento de Deus para o cumprimento da missão é um povo específico, a igreja. Por sua vez o local da missão é o mundo.  Isso exige uma dinâmica da missão de Deus e a missão da igreja.
Na segunda parte do livro analisa o Reino de Deus nos evangelhos. E ainda, as boas novas sobre Jesus nos quatro evangelhos; o Espírito Santo na igreja; vocação, ensino, teologia e a missão de Paulo também são analisadas. E por fim a finalidade de Cristo e a finalidade da Igreja.
O que constata é que o Deus da igreja é o Deus que age através da história. Algo cristalino nas páginas do Novo Testamento é que Cristo ocupa lugar principal na missão da igreja. Já reino de Deus, que não é definido, porém, exemplificado por Cristo era uma nova ordem de Deus, o Deus de compaixão e soberania que se preocupa com a humanidade toda.
Nesta abordagem fica claro que além de Deus soberano é salvador! E a universalidade e a unicidade de Deus formam a base fundamental para a universalidade da missão.

Lendo a obra tem-se uma visão mais aprofundada da igreja de Cristo e de sua primordial vocação.

sábado, 13 de setembro de 2014

Jesus Cristo: Senhor Absoluto de Todos e Sobre Tudo.


FERNANDO, Ajith.   A Supremacia de Cristo. Tradução de Gordon Chown.  São Paulo: Shedd publicações, 2002. 272 p.

O livro A Supremacia de Cristo é de suma importância dentro do cenário religioso, pois hoje em dia o único discurso politicamente correto é o chamado pluralismo. O autor Ajith assemelha-se ao profeta João Batista que foi para o deserto ser “boca de Deus”. Pois de forma magnífica chama a atenção de todos para aquilo que Deus diz através de sua palavra, e não para as “vozes” do mundo. 
O livro é dividido em três partes. De um modo brilhante Ajith apresenta Jesus como a Verdade, o Caminho e a Vida. Esta obra apresenta-nos a Cristo de modo simples e profundo.
No primeiro capítulo aborda o Cristo Supremo e o desafio do pluralismo. Citando D. A. Carson, diz que “o único credo absoluto é o credo do pluralismo”. Dessa forma mostra como é a filosofia pluralista. Todavia, posiciona biblicamente ao mencionar que apesar de viver num mundo religioso plural que o Evangelho é a única maneira pela qual as pessoas possam ser salvas (p.21).
Ao trabalhar o texto de João 14.6 lança uma pérola: Jesus é a personificação da verdade. Mostra que Jesus é a verdade absoluta e que por isso oferece algo novo e notável: o verdadeiro conhecimento de Deus.  Enfatiza que não se deve seguir “doutrina”, mas sim a Pessoa de Jesus Cristo.
Afirma que Jesus é absoluto no terceiro capítulo e para tal baseia-se nas próprias palavras de Cristo Jesus. Declara o quanto os ensinos de Cristo são atrativos e ainda profundos, porém singelos.  Ajith parte do princípio que a palavra de Cristo é a verdade e, sobretudo absoluta.
Revela no quarto capítulo que as obras de Cristo autenticam as suas palavras. Exorta-nos a crer por causa das obras de Jesus. E tais obras mostra que Jesus é Deus, portanto, deve ser adorado.
No quinto capítulo versa sobre os milagres e o ministério de Cristo. Fala que os liberais estudam a vida de Cristo com a intenção de destituí-la das formulações dogmáticas da igreja e voltar à personagem histórica concreta (p.73).
Mostra o quanto os Evangelhos são relatos históricos exatos, já no sexto capítulo. Afirma que o Evangelho não é subjetivo, mas sim histórico. Além de mencionar a objetividade do evangelho como verdade, demonstrando a sublimidade deste.
Adiante apresenta argumento adequado em favor de fazer as pessoas acreditar em Jesus apesar do bombardeio pluralista. E depois arremata o próximo capítulo falando de forma magistral sobre a alegria da verdade.
Na segunda parte, versa sobre o significado da cruz. Diz que se houver o entendimento correto da cruz será apresentada a resposta básica do Criador ao dilema humano. E que todos os demais sistemas religiosos são insuficientes, no esforço, para endireitar as coisas entre Deus e a humanidade. Salienta que a cruz desafia a autossuficiência humanística. E também fala sobre a justiça da cruz. Demonstra que a mensagem da cruz é uma verdade, ao mesmo tempo singela e profunda.
Já na terceira parte, Ajith aborda o relacionamento do amor de Deus conosco. E passa a analisar a questão relacionada a vida eterna. Entende a partir do texto que a vida eterna é muito mais ampla do que se imagina. Um dos grandes feitos da obra de Cristo é a formação de uma humanidade, a qual Paulo deu o nome de corpo de Cristo. Por fim, fala sobre a cruz e o problema do sofrimento. Mostra um Deus que sofre como os que sofrem, além de tratar-se sobre a derrota final do mal. E arremata ao tratar sobre a ressurreição de Cristo, apresentando-o como vitoriosa.
Numa era pluralista o livro de Ajith veio suprir a demanda com relação ao assunto. É um livro imprescindível para pastores e professores de seminários teológicos devido a sua relevância.  Destaco ainda, o embasamento bíblico do autor e o número fenomenal de referência bibliográfica no decorrer da obra.  A Supremacia de Cristo é uma obra magistral.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Igreja Hodierna diante da Diversidade Religiosa

Gustavo Luiz Rodrigues Souza[1]


BHOGAL, Inderjit Singh.  Pluralismo e a missão da Igreja na atualidade. Tradução de Magali do Nascimento Cunha, Paulo Bessa da Silva e Ronaldo Sathleri Rosa.  São Bernardo do Campo: Editeo, 2007. 120 p.

O livro Pluralismo e a missão da Igreja na atualidade é uma obra que suscita um amplo debate dentro do cenário evangélico brasileiro. O embate é provocado tanto pela temática quanto pela postura teológica adotada por Bhogal. Tal postura é compreensível, pois a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista “trouxe para o Brasil experiências da Ásia e da Europa unidas em um só testemunho de uma só pessoa: Dr. Inderjit Bhogal” (p.5).
A primeira parte da obra analisada trata-se de uma introdução sobre o pluralismo religioso redigido pela Drª Sandra Duarte.  Ela nos familiariza com várias tendências da matriz religiosa brasileira. Aborda a respeito das religiosidades na América Latina. E por fazer parte de uma denominação que é membro do Conselho Mundial de Igrejas [2] (CMI) revela o seu lado ecumênico. A autora afirma que se deve aprender a pensar de modo plural (p.14) no contexto latino-americano, mas em minha opinião deve-se pensar a partir de uma análise escriturística. Entendo que o posicionamento da Drª Sandra é cheia de resquício do ecumenismo. Todavia, o conteúdo restante revela muita seriedade e é apresentado com maestria.
Valendo-se de uma abordagem histórica, a Drª Magali Cunha trabalha o pluralismo religioso na agenda das igrejas protestantes no mundo contemporâneo. Ela mostra que no decorrer dos tempos o tema sempre esteve em pauta, nas conferências ecumênicas. A Drª Magali mostra a sua simpatia no que tange ao pluralismo religioso ao afirmar que “Deus continua plantando sementes do sonho/desejo de que outro mundo é possível” (p.45). O autor reconhece que as diversas denominações evangélicas são resultados da diversidade do Corpo de Cristo, mas não encontra respaldo bíblico para incluir outras religiões.
Na terceira parte, Inderjit Bhogal parte de um exercício autobiográfico-teológico. Ele aborda sobre o tema “Eu, Jesus e a comida” impregnado pelas suas experiências em detrimento do respaldo bíblico (p.52). Ao referir-se dentro de uma análise bíblica sobre a centralidade da comunidade no ministério de Jesus, Bhogal acaba minimizando a Pessoa e o  ministério de Jesus tirando o significado salvífico na esfera espiritual (p.54). Provavelmente a postura adotada por Bhogal é uma forma, ainda que inconsciente, de agradar as pessoas de diferentes segmentos religiosos.  Ainda, com relação à ceia do Senhor, o Drº Boghal dá outra conotação, esforçando-se em “socializar” a eucaristia. No ponto de vista deste autor o Drº Bhogal reinterpreta o texto bíblico numa tentativa de diminuir uma possível rejeição do rito por outras pessoas de religiões diferentes.
Parece-me que no diálogo inter-religioso desempenhado por Bhogal acabou se perdendo, ficou sem rumo. Na verdade, acabou deixando de lado o referencial: Jesus. E ao mergulhar no pluralismo religioso deixou de focar a singularidade de Cristo. O autor tem dificuldade com a leitura feita pelo Bhogal uma vez que não tem Cristo como chave hermenêutica (p.72-74).
Embora o livro da parte do Drº Bhogal tenha a meu ver diversos pontos teológicos discutíveis e apesar de ter se distanciado da ortodoxia cristã, serve para levantar discussões que não são comuns em nosso cenário brasileiro. Como cristão batista, aceito o conteúdo do livro parcialmente. O assunto é relevante e pertinente, mas faltou ao autor do livro um embasamento bíblico teológico.


[1] Pastor Batista. Bacharel em teologia pelo Seminário teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB). Mestrando em Missiologia pelo Centro Integrado de Educação e Missões (CIEM).

[2] O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) é a principal organização ecumênica em  nível internacional, fundada em 1948, em Amsterdam, Holanda. Com sede em Genebra, Suíça, o CMI congrega mais de 340 igrejas e denominações em sua membresia. Estas igrejas e denominações representam mais de 500 milhões de fiéis presentes em mais de 120 países.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Orientações antropológicas do Evangelho nas Diversas Culturas

HIEBERT, Paul G. O Evangelho e a Diversidade das Culturas: um guia de antropologia missionária, tradutora- Maria Alexandra P. Contar Grosso. São Paulo, Vida Nova, 1999. 307pp.

Doutor em Antropologia Cultural pela Universidade de Minnesota, EUA. O autor conciliou sua carreira de sucesso como um professor de antropologia com a sua vocação de missionário. Suas duas paixões foram realizados quando ele se juntou Fuller Theological Seminary (Pasadena, 1977-1990) e, mais tarde Trinity Evangelical Divinity School (1990-2007), onde se dedicou à formação de uma nova geração de missionários e missiólogos. Dr. Hiebert é autor de doze livros e publicou mais de 150 artigos em várias revistas acadêmicos[1].
Esta obra de Paul Hiebert é uma das mais importantes na área missiológica. No Brasil, a obra é livro obrigatório em todo curso de missiologia ou de formação missionária devido o seu imenso valor. Seu alvo é oferecer aos missionários da atualidade algumas ferramentas básicas para a compreensão de outras culturas e a compreensão de si mesmas ao penetrarem nelas. É um esforço por parte de Paul Hiebert Gordon de capacitar os missionários no que tange a comunicação do evangelho e para isso, o autor usa a sua vasta experiência missionária na Índia para orientar os futuros missionários transculturais.
O livro apresenta quatro divisões bem definidas: o evangelho e as culturas humanas, as diferenças culturais e o missionário, as diferenças culturais e a mensagem e as diferenças culturais e a comunidade bicultural.
Na primeira parte, o autor analisa a relação entre missões e antropologia. Menciona que se precisa entender o evangelho em seu contexto histórico e cultural. Assim como precisa de um entendimento claro de nós mesmos e do povo a quem serve em contextos históricos e culturais distintos. O autor diz que a antropologia oferece uma grande contribuição em situações transculturais, pode-se inclusive, examinar o contexto transcultural e suprir de informações sobre a contemporaneidade. Entender situações transculturais. Esclarecer sobre tarefas missionárias específicas como a tradução da Bíblia. Auxiliar a compreender os processos de conversão, incluindo a mudança social. Tornar o evangelho relevante. E por fim, auxiliar em nossos relacionamentos com a sua diversidade cultural e ajudar-nos a construir pontes de compreensão entre elas.
Examina os pressupostos teológicos e antropológicos para verificar a de que maneira moldam o pensamento. Então, reúne ideias bíblicas e antropológicas para alcançar um entendimento mais amplo da tarefa missionária. Urge evitar uma visão distorcida que nos impeça de ver as coisas com clareza, sentencia o autor. São princípios que se aplicam igualmente aos missionários de outras regiões do globo.
O evangelho e a cultura: Sabe-se que o evangelho não pertence a nenhuma cultura. O evangelho sempre deve ser entendido e expresso dentro de formas culturais de pensamentos e idiomas humanos.  Antes de analisar a relação entre cultura e evangelho examina mais de perto a abrangência dos padrões culturais: conceito e dimensões de cultura. 
Na segunda parte, o autor aborda o problema das diferenças culturais e o missionário que veem o mundo de maneiras distintas o que torna o choque cultural inevitável. Os choques são de diversos tipos: línguas diferentes, comportamentos e relacionamentos diferentes.
Paul Hiebert afirma que o missionário deve estar pronto para assumir a difícil tarefa de aprender, a saber, e a se identificar com a cultura. Na opinião do autor o missionário deve tornar missionário identificado e lidar com questões teológicas surgidas das diferenças culturais. E finaliza a seção expondo os pressupostos culturais dos missionários norte-americanos para que compreendam a sua própria cosmovisão a fim de evitar mal- entendimentos.
A jornada do missionário será mais tranquila e bem sucedida se estudar a antropologia cultural para compreender melhor a nova cultura e evitar cair no erro do etnocentrismo.
Na terceira parte o autor analisa como as diferenças culturais influenciam a mensagem do missionário na sua comunicação transcultural, pois sem a compreensão das diferenças culturais o evangelho pode ser comunicado de maneira distorcida e a mensagem ser mal-entendida.
A contextualização critica, é aquela em que as velhas crenças e costumes não são rejeitados nem aceitos sem um exame sério que seja feito à luz das verdades contidas na Palavra de Deus. Este conhecimento é imprescindível, pois quando os missionários chegam a uma região nova, não entram num vácuo religioso e cultural, assevera Paul Hiebert (p. 171).
Finalmente, na quarta parte o autor expõe como as diferenças culturais afetam a comunidade bicultural dentro da qual os missionários e os nacionais trabalham.  Segundo Hiebert: “comunidade bicultural é a ponte pela qual o evangelho atravessa de uma cultura para outra”. Entretanto, construir esta ponte entre as culturas é a principal tarefa de missões.
 Paul Hiebert menciona que as relações humanas são o centro da tarefa missionária, mas nem todos os relacionamentos são eficientes na comunicação do evangelho, por esse motivo o autor dedica um capítulo sobre o papel do missionário, tanto a posição social quanto o papel, como norteador para a compreensão da natureza dos relacionamentos humanos e o exame de como eles afetam a tarefa missionária. E encerra a seção com o capítulo onde mostra que a tarefa missionária está inacabada, portanto, indicando que esta geração tem o dever e privilégio de dar continuidade a anunciação do evangelho.
A referência bibliográfica é digna de nota. São aproximadamente 93 livros consultados. Vê-se, portanto, que o autor realizou extensa pesquisa, comprovada, entre outros aspectos, pela bibliografia volumosa utilizada.
A qualidade do livro é melhorada ainda mais pela inserção de cerca de 40 figuras ao longo do livro. Figuras que auxiliam bastante os leitores. Outro ponto positivo são as tabelas, em número de oito.
Este livro precisa ser lido e estudado pelos missionários transculturais com o objetivo de usar a ferramenta antropológica na comunicação do evangelho aos povos. Utilizando a antropologia pode-se mostrar o evangelho de forma relevante numa outra cultura. Trata-se, portanto, de uma obra indispensável aos estudiosos da área de missões.





[1]  Paul Gordon Hiebert foi considerado o maior antropólogo cristão de sua época. Ele morreu de câncer em 11 de março de 2007. Ele tinha 74 anos.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Análise Antropológica sobre Costumes e Culturas dos Povos

NIDA, Eugene. Costumes e Culturas: uma introdução à antropologia missionária. 1ª Ed. São Paulo: Vida Nova, 1985. 108 p.

Esta obra é baseada e adaptada do livro de Eugene A. Nida[1], Customs, Culture and Christianity - (Tyndale Press, 1954). Devido o alto valor desta obra, Bárbara Burns, Décio de Azevedo e Paulo Barbero, pessoas de expressão nacional na missiologia brasileira, adaptaram-na e modificaram-na para o estudo no Brasil. As mudanças feitas produziu um texto mais prático, sem falar na leitura agradável. Eugene Nida, doutor em Linguística pela Universidade de Michigan, trabalhou em 75 países ao lado de tradutores em textos em mais de duzentos idiomas. Escreveu 22 livros sobre tradução, linguística, antropologia e missões.
Ainda na introdução, explica o benefício e a necessidade da antropologia para qualquer missionário. Entende-se, portanto, que a ciência da antropologia social deve ser reconhecida como disciplina essencial no treinamento missionário. Por isso torna-se necessário, ao preparo e treinamento para a obra missionária. E sustenta que o missionário num contexto cultural não se pode usar os próprios “óculos culturais”, mas analisar no povo as razões de sua maneira de pensar, agir e viver (p.1).
Como um livro que transita por uma área pouco explorada na literatura evangélica brasileira, o autor trata dos encontros e desencontros que acontecem há anos entre antropólogos e missionários e, consequentemente, suas respectivas áreas. Sua proposta é abordar a Antropologia aplicada às ações missionárias de forma prática, oferecendo uma base para os desdobramentos que envolvam encontro de culturas e evangelização.
O primeiro capítulo analisa os Choques e Surpresas num campo transcultural. Por conta de cada povo considerar sua ideia como universal e a única correta sobre qualquer assunto (p.2). Pensa-se que os costumes são corretos e dos outros errados. Descreve que a comunicação do evangelho será muito difícil se não se tornar um imitar de Cristo. Recomenda humildade ao procurar compreender um povo com o qual trabalha, falar a língua e evitar todo o escândalo cultural para não fechar a porta.
No segundo capítulo, enfatiza que a antropologia é importante para a compreensão das razões e atitudes dos outros bem como das nossas próprias (p.8).  Descreve o que é antropologia e suas subdivisões. Expõe o que é cultura e suas subdivisões e o seu funcionamento. E sumariza ao dizer que o comportamento humano não é ilógico, mas segue modelos culturais definidos. E que as partes que formam o padrão de comportamento de uma cultura são inter-relacionadas (p. 19).
As considerações sobre o racismo aparecem no capítulo três. O mito da superioridade racial e as consequências do racismo são explicados, bem como as orientações para evitar muitos problemas em relação ao orgulho nacional e à interação com pessoas de outro povo. Mostra que o preconceito é universal, porém, que pode ser superado ao demonstrar o amor de Deus para o mundo inteiro.
O quarto capítulo aborda aspectos relacionados à agricultura e economia dos povos. Revela a cultura material em relação à cultura social, a cultura religiosa, cultura estética e a missão cristã. Mostra o interesse de Deus em cada ponto levantado neste capítulo.
 Estuda as relações dos homens entre si a sua vida social no quinto capítulo. Trata sobre as diversidades e complexidades nas relações sociais  E mostra que somente a reconciliação do homem com Deus, pelo sacrifício vicário de  Jesus Cristo, pode transformar as relações sociais.
O sexto capítulo versa sobre a religião, visto que, é um fenômeno mundial. De modo sucinto classifica as crenças religiosas e descreve vários aspectos da religião. Tal abordagem torna-se necessária porque a religião é parte integrante de todos os povos.
A estética tem sido parte integrante do homem desde o início de sua história, assevera Eugene Nida, por causa disto apresenta no capítulo sete uma visão mais detalhada. O autor defende uma abordagem equilibrada sobre o assunto porque entende que a expressão do senso estético é um dos componentes universais do comportamento humano, mas que tal expressão nunca é desprezível, variando de povo para povo (p.70).
Nida expõe no capítulo oito sobre a linguística, mostrando que cada missionário precisa estar bem equipado, inclusive linguisticamente, para poder aprender a língua do povo entre o povo o qual vai trabalhar (p.76).
No capítulo nove, o autor começa a tratar dos velhos costumes e novos caminhos, mostrando que não há nenhuma sociedade no mundo inteiro, pré-letrada ou letrada, que tenha uma cultura totalmente estática. Nida avalia que, por causa das novas invenções, das decisões governamentais, das mudanças de níveis educacionais e outros fatores a humanidade está sendo modificada constantemente.
O capítulo dez apresenta novas soluções para velhos problemas. Como resultado de sua experiência, o autor, revela que um dos segredos no campo transcultural está na identificação com o povo e na comunicação de acordo com os padrões da cultura onde é realizado o trabalho. A análise é apontada pelo autor como dois problemas sérios: falta de identificação e falta de comunicação. Ele demonstra que os métodos missionários e antropológicos que melhor funcionam para os povos não cristãos não são apenas resultantes de teorias, mas resultantes do íntimo contato com o povo, do enfrentar problemas diários e viver dificuldades juntos com eles.
Fazendo jus ao aspecto introdutório, o autor trabalha muito bem a Antropologia Cultural, seus expoentes e influência na Missiologia, dando base à aplicabilidade científica no campo missionário. Os capítulos são curtos, mas cheios de informações. Eugene Nida não se esquece de conceituar, classificar, exemplificar e aplicar o que propõe. Cada nova informação traz um estudo de caso aplicável que contribui para a fixação.   
Além de uma excelente introdução e direcionamento para o estudo acadêmico e consolidação da perspectiva antropológico-missionária, o livro também é um importante meio de estímulo para a quebra de preconceitos entre os representantes das áreas abordadas, sabendo que uma posição equilibrada é benéfica a todos, especialmente às necessidades dos grupos que são alvo de estudo e atuação de antropólogos e missionários.
Há alguns pontos negativos, que, contudo, não são fatais a excelência do livro. Um dos principais é a falta de referências bibliográficas. Esta ausência dificulta pesquisas futuras por parte dos interessados em aprofundamentos.
Outro ponto negativo é que não há figuras ou tabelas no decorrer da obra. As ilustrações ajudariam bastante o leitor que não tem tantas noções sobre os aspectos culturais dos referidos povos. No entanto, as devidas correções poderão ser feitas na próxima edição com a finalidade de abrilhantar ainda mais um pequeno livro que se propõe a ser tão somente uma introdução à antropologia missionária.
A obra de Eugene Nida oferece uma grande contribuição para os estudantes de missiologia, pastores e missionários transculturais.





[1] Eugene A. Nida (1914- 2011) coordenou as traduções da American Bible Society de 1946-1984. Era reconhecido como um dos mais importantes linguistas e teóricos da tradução do século xx. Nida morreu em 25 de agosto de 2011. 

Resenha


GUIMARÃES, S. Lúcio. Seluguh: uma história missionária. Rio de Janeiro: União Feminina Missionária Batista do Brasil, 2010. 48p.

O autor é pastor batista e doutor em Teologia com ênfase em missiologia pela University of the Western Cape, Cape Town, África do Sul. Serviu como missionário por mais de dez anos em Moçambique e África do Sul. Além de ter servido como pastor local e missionário transcultural tem atuado como professor de missiologia em Seminários e Escolas de Missões na América do Sul e na África.
Baseando-se numa reflexão sobre a sua própria experiência missionária adquirida nos anos em que esteve no continente africano, o autor busca estimular a aprender mais sobre missões e os grandes desafios missionários atuais.
A obra está dividida em cinco partes: o pequeno pastor Seluguh, Seluguh encontra uma Bíblia, Seluguh encontra a Igreja, Seluguh encontra o missionário e Seluguh encontra Jesus. Trata-se de uma história que aborda um tema relevante e muito negligenciado: missões, cuja origem é o coração do próprio Deus.      
Na primeira parte, o autor narra a história de um menino de 13 anos de idade chamado, Seluguh, que vive ao sul de Botsuana. O menino tsuana vive com os pais e seus três irmãos numa aldeia. Todos os membros da família tem uma responsabilidade pessoal e coube a Seluguh cuidar dos ovinos, sendo assim um pequeno pastor. Esta função desempenhada desemvolveu varia habilidades essências a sobrevivência no contexto africano. O trabalho dele garante mantimento para toda sua família.  É um menino muito responsável para que toda a sua família viva bem. Apesar de ter apenas 13 anos o menino tem grande experiência nas savanas com seus perigosos. Ele gosta de ser pastor do seu rebanho, por isso faz o seu trabalho com alegria.
Na segunda parte, o menino Seluguh durante a atividade pastoril encontra algo muito precioso. Em meio aos cuidados devidos por causa de um sol causticante com os objetivos de preservar o seu rebanho. Ele encontra um livro  de capa preta em couro. Pensara que o objeto havia caído de algum caminhão por causa da proximidade da estrada. Curioso folheou a Bíblia, mas não sabia nem o que era aquilo. Deduziu tratar-se de um livro importante devido ser grosso e ter letras grandes, muitas anotações e palavras sublinhadas. O livro constava o nome do dono, pensou-se até em devolvê-lo, porém, um misto de pensamentos passou em sua mente. Em seu coração desejou possuir para sempre aquele achado.
Na terceira parte do livro, o pequeno pastor ao retornar de seu trabalho procura o seu pai e mostra-lhe o livro. Foi tomada a decisão de devolver aquele exemplar ao dono o que veio ocasionar uma tristeza imensa em Seluguh. Com a decisão tomada de devolver o livro ao dono partiram para a cidade, pois tinham informações de que os missionários estrangeiros em seu país ensinavam  na igreja sobre o livro. Pela primeira vez, o menino entra numa igreja e participa do culto com o intuito de no final procurar o dono do livro.
O encontro de Seluguh com o missionário dar-se na quarta parte, já impactado por tudo visto na igreja dirige-se até o missionário que o cumprimenta segundo o costume da África. O missionário ouve atento a história e deseja saber mais sobre o menino, sua família e aldeia. Por causa do interesse do missionário convida-o para ir até a sua casa que fica do outro lado da rua. Mediante o convite Seluguh titubeou, mas a curiosidade era enorme e acompanhou o missionário. E o missionário finalmente pode falar abertamente de quem o livro falava.
Na última parte, através do missionário Seluguh ouve falar de Jesus. O missionário deseja conhecer a família e a aldeia do pastorzinho e os convida para vir a sua casa. Na hora marcada foram até lá e o missionário pode falar na língua tsuana com muito amor e convicção do amor de Jesus. Naquele dia Seluguh teve um encontro real com Jesus, recebendo-o como Salvador. Aquele encontro resultou em bênçãos espirituais para todos os presentes. O missionário ainda examinou o livro levado e pelo Seluguh e constatado que havia sido perdida, disse que podia permanecer com o menino. Em um só dia menino recebeu dois presentes: ele tinha Jesus Cristo e possuía o livro sagrado que ele tanto amava.
Guimarães apresenta o texto em forma narrativa e consegue criar um cenário onde o menino Seluguh conhece gradativamente vários “tesouros”. Através de uma linguagem bastante acessível, que não encontramos em muitas obras, o texto é cheio de fatos e/ou aspectos culturais, situações intrigantes do continente africano e informações acerca da necessidade de compartilhar o amor de Deus. Uma característica marcante é a tensão permanente que ambienta cada episódio- descrito em cada capítulo.
É possível afirmar que o texto é resultado não de técnica, mas de um dom de contar história, deixando o leitor impressionado com um desfecho inesperado, mas que demonstra – de forma exponencial, é verdade - a necessidade do ser humano. É uma obra excelente para os que gostam dos livros  missionários, mas acham cansativa a linguagem rebuscada usada em alguns deles. Sebastião Lúcio Guimarães é um dos maiores escritores evangélicos e entre seus livros destacam-se Crônicas Missionárias.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Mito

Na fenomenologia da religião um aspecto muito valorizado é o mito. Malinowski define mito como uma realidade viva, que se crê ter acontecido em tempos recuados e que continua a influenciar o mundo e os destinos humanos.
Mircea Eliade afirma que há mais de meio século, os eruditos ocidentais passaram a estudar o mito por uma perspectiva que contrasta sensivelmente com a do século XIX, por exemplo. Ao invés de tratar, como seus predecessores, o mito na acepção usual do termo, isto é, como fábula, invenção, ficção, eles o aceitaram tal qual era compreendido pelas sociedades arcaicas, onde o mito designa, ao contrário, uma história verdadeira e ademais, extremamente preciosa por seu caráter sagrado, exemplar e significativo. Mas esse novo valor semântico conferido ao vocábulo “mito” torna o seu emprego na linguagem um tanto equívoco. De fato, a palavra é hoje empregada no sentido de ficção ou ilusão.
O judaísmo-cristianismo relegou para o campo da “falsidade” ou “ilusão” tudo o que não fosse justificado ou validado por um dos dois Testamentos.
Não é o sentido usual na linguagem contemporânea que o autor deste  blog entende o mito.
Todas as grandes religiões mediterrâneas e asiáticas possuem mitologias. Não é preferível iniciar o estudo do mito tomando como ponto de partida a mitologia grega, egípcia ou indiana. A maioria dos mitos gregos foi recontada e, consequentemente, modificada, articulada e sistematizada por Hesíodo e Homero, pelos rapsodos e mitógrafos. As tradições mitológicas do Oriente Próximo e da Índia foram persistentemente reinterpretados e elaborados por seus respectivos teólogos e ritualistas.
Segundo Mircea Eliade o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada através de perspectivas múltiplas e complementares.
O mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do “princípio”. Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja de uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição.
O mito fala sempre apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente. Por exemplo: O mito cosmogônico é “verdadeiro” porque a existência do Mundo aí está para prova-lo. O mito da origem da morte é igualmente “verdadeiro” porque é provado pela mortalidade do homem e assim por diante.
Conclui-se que o mito é considerado uma história sagrada e, portanto, uma história verdadeira, porque sempre se refere a realidades.

Bibliografia:
ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 1972. p. 1-23.
MAIR, Lucy. Introdução à Antropologia Social. São Paulo: Zahar, 1976. p.240-246.
LIDÓRIO, Ronaldo. Introdução à Antropologia Missionária. São Paulo: Vida Nova, 2011. p.103-108.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Local da Celebração da Ceia do Senhor

As igrejas se reuniam nas casas dos crentes, no período do Novo Testamento, onde evidentemente celebravam a Ceia do Senhor. Não há determinação bíblica para que a realização se dê exclusivamente nos "templos". Onde quer que a igreja local esteja reunida aí será o lugar adequado para a celebração. Uma vez que a Ceia é uma ordenança da igreja como tal, não se legitima a sua realização em congressos, seminários ou simpósios, por mais edificantes que isso possa parecer. Não podemos desfigurar nosso conceito de igreja sem pagarmos o preço da perda da sua identidade bíblica.  A Ceia praticada biblicamente só faz sentido quando a igreja está reunida, comemorando a morte de Cristo.  
Do mesmo modo, não se justifica a entrega do pão e do cálice à domicílio para pessoas que não puderam comparecer à celebração da igreja. Levar a Ceia às casas ou aos hospitais é atribuir aos elementos materiais do pão e do vinho um poder sobrenatural, além de descaracterizar a natureza da própria igreja como a assembléia dos salvos. Consequentemente, a Ceia do Senhor não é dada a crentes ausentes do culto em que ela é celebrada, mesmo por motivo de de enfermidade. Não cremos que o pão e o vinho veiculam graça.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ceia do Senhor

Entre as melhores coisas da vida está participar da Ceia do Senhor. No domingo passado ministrei a Ceia na igreja. Um momento especialíssimo na vida do celebrante e dos demais irmãos participantes.

Faço duas ressalvas: a) a Ceia do Senhor não é a páscoa dos cristãos. A páscoa, celebração judaica, termina no seu pleno cumprimento no Calvário. b) a Ceia é uma ordenança. Não tem valor sacramental.
A Ceia do Senhor é um anúncio da morte de Jesus Cristo, o sangue de uma nova aliança, que culmina coma a esperança da volta do Senhor. A Ceia do Senhor é a lembrança da morte que traz vida. É a lembrança que torna comum um sentido individual. A lembrança que antecipa, no presente, um evento futuro ( I Coríntios 11.23-32).
Alguns benefícios da celebração da Ceia do Senhor são: leva o crente a recordar o sacrifício de Jesus. E contribui para despertar nos assistentes ao culto de celebração um sentimento de submissão.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Líder Cristão

"E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que também sejam capazes de ensinar a outros" ( 2ª Timóteo 2.2).

A recomendação do apóstolo Paulo para o líder cristão: que seja fiel e capaz com competência e caráter. 
O líder cristão deve cumprir o seu papel com eficiência e eficácia. Eficiência por que deve fazer bem as coisas. Eficácia porque deve fazer as coisas certas. 

domingo, 31 de agosto de 2014

Não sei quantos anos tenho

Nascido em 03 de agosto de 1976. É o que consta na carteira de identidade. Entretanto, não sei quantos anos eu tenho.

Não fui acometido pela discalculia. Esta se caracteriza pela grande dificuldade em se trabalhar com quantidades, símbolos e contagens, podendo evoluir para a incapacidade de ler números e realizar simples operações numéricas. Por isto, não sofro deste distúrbio de origem neurológica.
Não sofro de amnésia que é a perda de memória que pode ser total ou parcial, constante ou episódica, temporária ou permanente dependendo das causas.
Li algures que em certa ocasião alguém perguntou a Galileu Galilei:
- Quantos anos tens?
- Oito ou dez, respondeu Galileu, em evidente contradição com sua barba branca.
E logo explicou: Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais.
No meu caso, sinceramente, não sei quantos anos eu tenho [ de vida].

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Religião

A religião não é um corpo de doutrinas. Religião é vida; vida com o ser transcendental. A religião é a vida do homem nas suas relações sobre humanas, isto é, a vida do homem em relação ao Poder que o criou à Autoridade Suprema acima dele, e ao Ser invisível com quem o homem é capaz de ter comunhão. 
A religião verdadeira consiste mais em ser do que fazer. Por exemplo, quem é cristão, sempre faz obras cristãs, porém, quem faz obras cristãs nem sempre é cristão.
Todas as grandes religiões do mundo não são “contos do vigário”, antes representam o esforço extraordinário do homem para apossar-se da verdade. Não há nenhuma religião que se apoderasse dum povo fundada simplesmente no embuste, originada dum simples impostor.
Há sempre algo de verdade em todas as religiões. Tem todas elas alguma noção a respeito de Deus e das suas relações com o mundo, se bem que não tenham alcançado a verdadeira ideia da personalidade de Deus e das suas relações com a criação. Neste sentido todas as religiões são imperfeitas e tem enganado os seus adeptos, ministrando-lhes a verdade de mistura com erro.
O cristianismo arroga-se o título de verdadeira religião, porque ele prega a verdade acerca de Deus, e cultiva e promove as devidas relações deste para com o homem. O cristianismo satisfaz às exigências de uma religião verdadeira; e visto que não pode haver mais do que uma religião verdadeira, segue-se que é a única verdadeira é o cristianismo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Salvação

A soberania de Deus relativamente à salvação do homem significa que é Deus quem toma a iniciativa da realização da obra. A iniciativa está com Deus e não com o homem. Se Deus não tomasse a iniciativa ninguém seria salvo.
A soberania de Deus, com respeito à salvação do homem é simplesmente a sua iniciativa, tomada em virtude da sua natureza, com o fim de salvar a humanidade.
A soberania divina não é apenas uma manifestação da sua vontade. É uma manifestação de todo o ser [de Deus] e não apenas da vontade divina.
A iniciativa de Deus na salvação não priva ninguém de salvar-se, porque ele visa à salvação de todos (João 3.16). Verdade é que Deus predestina que aquele que crê será salvo, assim como o que não crê já está condenado. É verdade também que predestinou o meio da salvação, um único meio, com exclusão de qualquer outro; mas Deus não predestinou os que haviam ou os que  não haviam de crer. Decretado está que todo aquele que crer será salvo, assim como o que não crer será condenado.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

“Missão Transformadora- Mudanças de paradigma na teologia da Missão” (David J. Bosch).

Nesta excelente obra David Bosch fala da tendência mundial de mudança de paradigma em várias áreas. Afirma que houve mudanças anteriores e que as tais seriam reconstruídas com detalhes na área missionária, especificamente. Isto o autor cumpriu na integra, pois além de volumoso o livro já referido é muito rico em conteúdo.
Inicialmente fala sobre a conceituação de “missão” em vários períodos da história. E depois menciona a crise contemporânea da igreja. De uma forma bem lúcida pontua cada crise vivenciada pela igreja do presente século, cito duas: secularização e a “descristianização” no ocidente. No entanto, como assevera a crise além de representar perigo é também oportunidade para mudar a situação. Ainda com relação a  crise o autor trata pormenorizadamente sobre o fundamento, os motivos e a meta/ natureza da missão da igreja.  
Depois fala com muita propriedade dos modelos neotestamentários da missão. Quanta coisa boa e enriquecedora David Bosch trata nesse capítulo! Já havia deixado bem claro que a mudança de paradigma confronta, mas que ao invés de ser meramente perigoso é uma oportunidade. Menciona a necessidade de uma nova visão para sair do atual impasse rumo a uma espécie diferente de envolvimento missionário.
Faz algumas colocações que julgo ser relevante ao mencionar como a afirmação de que a fé cristã é intrinsecamente missionária. Que a missiologia deve olhar o mundo a partir de perspectiva do compromisso da fé cristã. Ainda, que a missão permanece indefinível, mas menciona a tentativa de uma aproximação do significado.
Algo sumamente importante que menciona é a confusão entre missão e missões por parte de muitos, dentro do cenário cristão. E faz questão de diferenciar uma coisa da outra.  Pontua sobre missões nacionais e mundiais ao afirmar que a diferença entre as duas não está no princípio, porém, no alcance.
No decorrer da obra fala da necessidade de levar o evangelho inteiro ao mundo inteiro, ao invés de levar práticas/culturas ocidentais aos povos. Soa aos ouvidos como um clamor para que os missionários e as igrejas respectivamente voltem-se ao evangelho puro de Cristo Jesus.
Alerta a igreja cristã para não confundir-se com o Reino de Deus.Afinal, a igreja não é o Reino de Deus, embora esteja relacionado a ele.
Ao tratar dos modelos neotestamentários da missão o autor além de sua peculiar profundidade mostra uma sensibilidade enorme para com o assunto abordado. Introduz o assunto descrevendo as diferenças existentes entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Adiante, afirma que a missão é a mãe da teologia; mostra que a teologia simplesmente acompanha a missão da igreja. Ratifica que o Novo Testamento é essencialmente um livro sobre a missão. Diz que o Antigo Testamento tem como ênfase principal, em sua auto-revelação, referindo-se a Deus, em atos históricos.
Algo digno de registro é a afirmação de que a missão da igreja está “amarrado” a pessoa e ao ministério de Jesus Cristo.
A visão é ampliada quando aborda o reinado oniabrangente de Jesus. Em seguida apresenta as testemunhas mais importantes da igreja cristã primitiva de acordo com a compreensão do evento de Jesus Cristo, e conseqüentemente a responsabilidade da igreja frente ao mundo. E por fim trabalha os paradigmas históricos da missão.
O livro Missão Transformadora ampliou bastante a compreensão deste aluno do curso de mestrado. Fez com que refletisse seriamente sobre a missão da igreja. E ao mesmo tempo demonstrava a ignorância deste, de um assunto tão relevante para a igreja hodierna. O autor deste trabalho simplório agradece imensamente a Deus pela vida do David Bosch, já na eternidade com Cristo, pela enorme colaboração com o crescimento intelectual e espiritual. Confessa ainda que, não obstante fazer uma análise em cumprimento de uma disciplina acadêmica, tal tarefa foi muito edificante. Sendo inúmeras vezes pausadas por orações; ora, oração de gratidão e louvor; ora, oração de confissão (tamanha a ignorância e omissão da parte deste). O autor foi alvo da graça imensurável de Deus através deste livro. Reafirma que, a missão maior deste livro foi transformar um discípulo de Cristo que, até então, estava equivocado em sua visão com relação a missão de Deus e conseqüentemente a missão da igreja.